Desamparo LV
a dor dá umas voltas estranhas e pára no mesmo lugar. como o fim de uma música, simples assim. a moça bebe cervejas importadas de país nenhum e chora dores importadas de país algum. medos de planetas distantes, ainda nem descobertos. medos ainda nem descobertos, medos sob o cobertor com bolinhas do passado. medos piquenique, medos alvorada, medos enfim sós. ele talvez sinta falta de quando ela voltava correndo. ônibus. sinal fechado. amor. edit piaf na vitrola, se funcionasse... olhar perdido. olhos azuis jogados longe. e aquele frio que não passa. não passaria. com passos delicados para ser vista pela neblina. ela falou no rádio amador: "eu gostaria que você não se importasse de se perder para me ajudar a achar o caminho. câmbio. desligo." ela não teve resposta. talvez a pilha. talvez a natureza. ele ia e foi. levou as coisas mais importantes. desodorante, perfume francês, lealdade, suspiro. ela ainda espera e espera pra sempre... ALGUÉM QUE A ESPERASSE EM TODOS OS DESEMBARQUES. seu nome na placa mal acabada ou simplesmente AMOR na placa mal acabada. que o desamparo pode ter casa. afinal. no coreto. ela menina. vestido de cetim. olhar de cetim: "se você não me abraçar, não sou ninguém. ouviu?" chora, bailarina, chora, que a dança embala, mas não é alento. porém, o chão não é fim. dança, bailarina, dança! 
Escrito por Cléo De Páris às 02h30
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Desamparo LIV
e meninas que se arrumam na frente do espelho com olhinhos machucados. laços no cabelo e no pensamento. meninas devaneios, meninas carne-viva, meninas à toa. meninas pensamento. meninas horizonte. meninas que tombam. meninas que espiam os olhinhos dos outros na plateia do teatro. meninas que derramam, meninas que acenam, meninas meio copo vazio... meninas absinto. meninas que flanam, meninas obsoletas, meninas de asas quebradas. meninas que se despem, meninas que se despedem. meninas que despencam, meninas que fogem, meninas que alimentam. meninas dilúvio. meninas quimeras. meninas je suis desolée. meninas escoderijo. era preciso voltar a procurar sapatos confortáveis. meias, luvas, chapéus. carinho nas extremidades. meninas que não conseguem. meninas que aceleram. meninas na chuva. meninas bolinha de sabão. meninas do you wanna dance. meninas espaços em branco. meninas solidão. meninas solilóquio. meninas alarme. meninas momento. meninas até que a morte vos separe. meninas neón, meninas aquarela, meninas bolinhas de isopor. meninas que tremem. meninas que desafinam. meninas que perdem. meninas que suplicam. meninas que ancoram. meninas que aviltam. meninas em pranto. meninas em desajeito. meninas em aventais. meninas em transe. meninas mar aberto. meninas desamparo. não gostava quando as lágrimas se misturavam à água do chuveiro. pois. tudo demora um pouquinho pra esquentar. afinal. meninas desamparo. e meninas que não querem dar trabalho. meninas desencontro;
meninas que acordam enroscadas na poesia. meninas caminho sem fim... 
Escrito por Cléo De Páris às 17h29
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A Cólera Divina
Quando fui ferida, por Deus, pelo diabo ou por mim mesma - ainda não sei - , percebi que não morrera após três dias, ao rever pardais e moitinhas de trevo. Quando era jovem, só estes passarinhos. estas folhinhas bastavam para eu cantar louvores, dedicar óperas ao Rei. Mas um cachorro batido demora um pouco a latir, a festejar seu dono - ele, um bicho que não é gente -, tanto mais eu que posso perguntar: por que razão me bates? Por isso, apesar dos pardais e das reviçosas folhinhas, uma tênue sombra ainda cobre meu espírito. Quem me feriu, perdoe-me. Adélia Prado.
Escrito por Cléo De Páris às 00h11
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Desamparo LIII
À espera de uma tragédia... os desejos como as gavetas que nunca são abertas. mas tinha um poeta particular. mesmo quando está sozinha, tranca a porta. rasga tudo que veio errado. não existe silêncio em são paulo. meu coração chapelaria. meu coração vacina. meu coração: colombina. todos os lacinhos nos dedos pra lembrar de te esquecer, o laço na cintura pra te lembrar de não me esquecer. o erro é seu. quando pegar na minha cintura. me deixa te esquecer? assar amêndoas: 120 graus, 18 minutos. meu bocejo não alcança sua noção de infinito. a menina sem amor, sem porém, sem patins, sem the book is on the table. sem descanso, sem processo, sem espanto. vive com tantos fios, espera no ponto pacientemente o amor passar. vontade súbita de fugir: a porta.
acorda, se esforça, se esforça, dorme, amém. amor lux luxo. amor swarowski. vão-se os batons, ficam os lábios. viver é tentar não sentir dor. é mais difícil procurar o que não se deve achar. - sal também é alimento? - baratas bebem água? - ele é só cara que me batia. ela tem medo: de ficar trancada no banheiro, de se perder da mãe no supermercado, da morte, de quebrar o sentido do amor no seu peito. e às vezes, dor é só dor. sem conservantes, sem acidulantes, sem estabilizantes. sem prazo de validade. às vezes, à vácuo. 
Escrito por Cléo De Páris às 13h24
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A música mais linda do mundo nessa semana
Se EnamoraQuando você chega na classe Nem sabe Quanta diferença que faz E às vezes Faço que não vejo e nem ligo E finjo, ser distraída demais Quantas vezes te desenhei Mas não consigo Ver o teu sorriso no fim Te sigo Caminhando pelo recreio Quem sabe Você tropeça em mim Se enamora Quem vê você chegar com tantas cores E vê você passar perto das flores Parece que elas querem te roubar Se enamora Quem vê você chegar com tantos sonhos E os olhos tão ligados nesses sonhos Tesouros de um amor que vai chegar Quando toca o despertador De manhãzinha Me levanto e vou me arrumar E vejo A felicidade no espelho Sorrindo Claro que vou te encontrar Fico só pensando em você E juro Que vou te tirar pra dançar Um dia Mas uma canção é tão pouco Nem cabe Tudo que eu quero falar Se enamora Quem vê você chegar com tantas cores E vê você passar perto das flores Parece que elas querem te roubar Se enamora Quem vê você chegar com tantos sonhos E os olhos tão ligados nesses sonhos Tesouros de um amor que vai chegar Se enamora E fica tão difícil De ir embora E às vezes escondido A gente chora E chora mesmo sem saber porque Se enamora A gente de repente Se enamora E sente que o amor Chegou na hora E agora gosto muito de você
Escrito por Cléo De Páris às 12h27
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O ESPELHO DA ATRIZ

Escrito por Cléo De Páris às 03h51
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A música mais linda do mundo nessa semana
Quase Colorida (Verushka)Não deixe o sol ver você chorar Não deixe a lua ver você sofrer Pois o sol de tristeza não vai aparecer Não deixe o sol ver você chorar Não deixe a lua ver você sofrer Pois a lua chorando vai se esconder Tem um meigo sorriso Tem um lindo olhar Tem uma doce beleza Você é bonita até pra chorar Tem um meigo sorriso Tem um lindo olhar Tem uma doce beleza Você é bonita até pra chorar Você é linda É quase colorida Você é amor É o amor da minha vida Você é linda É quase colorida Você é amor É o amor da minha vida
Escrito por Cléo De Páris às 11h35
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Desamparo LII
ficou aquele resto de cereal em cima da mesa, aquele resto de vexame e nada mais.
ela não gosta de ser tocada por mãos erradas; não vai ao cabelereiro, mãos e pés arruma sozinha, não tem mais fios de marionete. não desmaia em qualquer lugar; sua cabeça deita no ombro certo. ela não gosta de ser t(R)ocada por mãos erradas. ajeita os pensamentos como pode. cuida do olhar azul como convém. organiza os vegetais no lado esquerdo do prato. sonha em tonalidades roxas. sempre gérberas amarelas e vermelhas! sempre janela aberta (um dia arranca as cortinas do mundo inteiro!) se puder voar, as asas serão prateadas; se puder construir, os tijolos serão fortes; se puder iluminar, nada de âmbar. ela não gosta que seus joelhos doam sem necessidade. não gosta de conselhos falsos, não tolera nem por um segundo mais que você coloque mais água do que a planta precisa!!!! reza sozinha, cozinha sozinha, dorme sozinha, anda sozinha, chora sozinha, ouve todas as músicas que quer e não gosta de ser tocada por mãos erradas. como uma criança, precisa de repetições. orvalho pode sempre tocá-la. mas sempre mesmo... e um amor 100% algodão! e a esperança. e as cantigas populares. aviso aos fãs: é proibido alimentar os animais. 
Escrito por Cléo De Páris às 17h38
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A música mais linda do mundo nessa semana
Olha Olha você tem todas as coisas Que um dia eu sonhei prá mim A cabeça cheia de problemas Não me importo, eu gosto mesmo assim Tem os olhos cheios de esperança De uma cor que mais ninguém possui Me traz meu passado e as lembranças Coisas que eu quis ser e não fui Olha você vive tão distante Muito além do que eu posso ter E eu que sempre fui tão inconstante Te juro, meu amor, agora é prá valer Olha, vem comigo aonde eu for Seja minha amante, meu amor Vem seguir comigo o meu caminho E viver a vida só de amor
Escrito por Cléo De Páris às 11h37
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Desamparo LI
dentro do seu segredo, dentro da sua mala de rodinhas. dentro de algo tosco que ela insiste em nomear amor. dentro dos cílios gastos e atentos, dentro da beleza que se esvai dentro dos desencontros, dos descofortos, das tempestades. dentro do medo de mau hálito, do medo de joelhos que doem, do medo da desesperança nefasta... dentro dos sapatos cada vez mais altos, das pegadas cada vez mais leves, da ternura que acalma até os fantasmas de 1971. dentro daqueles olhos... daqueles olhares de amor, daquela chuva que vai molhar o mundo inteiro menos ela. dentro do medo de tentar sorrir sorriso azul, sorriso marshmallow, sorriso "pode ser que o amor baste". dentro da panela com muito sal, dentro dos músculos calados, dentro do afeto que espera a barriga crescer, dentro da possibilidade de cancelar. dentro do que se foi, dentro do que se foi e ficou mais do que aquilo que é. dentro da dor, dentro do acostumar-se à dor. dentro do entender a dor, dentro do aceitar a dor, dentro do vestido de babados, dentro da calcinha roxa, dentro da migalha de paz, dentro do gole amargo, dentro do ranger de dentes. dentro do momento de olhar o amigo cheio de luzes e cheio de eu te amo nos lábios, dentro de acreditar, dentro de ser tão, mas tão amada que nem cabe dentro. vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval. já que você é míope, NÃO COMPRE MALAS PRETAS, minha filha, ok? 
Escrito por Cléo De Páris às 05h48
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Anaxímenes de Mileto
E tudo se transforma. E tudo se transforma. A dura matéria sólida crepita e se converte em fumo que sobe para o céu. A água se evapora dos potes para o ar e do ar nos chega como chuva que bebemos e se nos incorpora. E quanto ao ar, nós o sorvemos para viver. A água se converte em sólido. O sólido se converte em líquido. Os animais digerem as plantas e crescem. E quando morremos nosso corpo se transforma em poeira mineral que baixa ao solo. E do solo nascerá a vida que dará vida aos que no futuro a vida procurarem. Tudo se converte em tudo. | | |
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Escrito por Cléo De Páris às 12h17
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Desamparo L
e eu ainda acredito que vejo um horizonte nessa tela... ele: "Stand by me..." ele: "Stand by me..." ele: "Stand by me..." olhos azuis requintados (requentados) postiço amor. desperdício pra dentro. coração coarando. coração ao sol sem filtro solar. olhos azuis que desistem, desabam, descombinam. ah...quem dera olhos pretinhos básicos... na garrafa: "juntos transformamos a magia em realidade". riu alguém que existe, sabe de tudo, a cor da dor de um machado. ele = namorado ela = salvação e foi naquela hora que só restou aguar as plantas. o coração pulando no descompasso de tudo que pode não acontecer, da vida que pode por acaso desacontecer. "me deixem em paz, palavras malditas que aquecem certezas!!!" ele parece estar correndo para um lugar que nunca irá chegar. ela não deve ficar triste com isso. não deve! ela não deve chorar toda coca-cola que bebe, pra não se desidratar. não deve! ela é sempre a resposta que ele quer... eles (parece que) vão tentar mais uma vez. vão tentar desistir. ele coloca a coragem na mala atrás da cama; ela deixa que a sua continue espectral. deixa? ele vai esperar que a ressaca seja gentil com ela, que os ganhos sejam maiores do que as perdas, que os vagalumes voltem na véspera de Natal e que as pupilas dancem menos. apesar do amanhecer. apesar dos caminhos já aventados. apesar. e às 6 da manhã: olhos azuis desalmados.  foto de Flávio Morbach Portella
Escrito por Cléo De Páris às 19h45
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A música mais linda do mundo nessa semana
ConsolaçãoSe não tivesse o amor Se não tivesse essa dor E se não tivesse o sofrer E se não tivesse o chorar Melhor era tudo se acabar Eu amei, amei demais O que eu sofri por causa de amor Ninguém sofreu Eu chorei, perdi a paz Mas o que eu sei É que ninguém nunca teve mais Mais do que eu
Escrito por Cléo De Páris às 17h00
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demasiada e nefasta (também) ou Desamparo XLIX
um bibelô pode usar saias longas? pode interferir? pode sofrer em paz um bibelô? quem vai dizer amém? quem jogará as cordas e os coletes? quem olha o horizonte? quem me aaaaaaaaaaaama? quem reclama se não existo? quem me olha se não cometo um crime? você me assiste? me insiste? me aconchega mesmo que eu não seja um monsto? mesmo sem aspas? mesmo indecisa? carente? triste e ofegante? você me me embala só porque deitei no seu colo por acaso? me dá um cigarro? um sono? me dá um adeus? me olha. você me olha de verdade como se eu fosse um coelho perdido? você me entende como se eu fosse um coelho perdido? me come? me inspira? me adula? me enuncia? segura esse choro todo? cai em mim só pra dizer que posso te segurar? aprende a dirigir? escandaliza todas as alturas do mundo? subtrai coisas como pó, desânimo, tontura, pudim de leite, covardia, talento sem uso, cofres de desamor? você consegue existir às 15h45 em ponto pra me amar sem limites? consegue?
Escrito por Cléo De Páris às 08h58
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A música mais linda do mundo nessa semana
Como Dizia o Poeta Quem já passou por essa vida e não viveu Pode ser mais, mas sabe menos do que eu Porque a vida só se dá pra quem se deu Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não Nao há mal pior do que a descrença Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair Pra que somar se a gente pode dividir Eu francamente já não quero nem saber De quem não vai porque tem medo de sofrer Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Escrito por Cléo De Páris às 01h49
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