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Pueril2 - blog da Cléo De Páris
 


algum desamparo solto no tempo e na angústia


sonhos cancelados. aprendeu muita coisa, não aprendeu a ver.

gostava de ter as mãos livres para fechar os ouvidos.
gostava de ter as mãos livres para fechar os ouvidos.

o que não se ensina, dispensa professor.
a vida dá conta.

"eu queria ter uma bomba!"
um bolo de reis, talvez...

relógios por todo lado. uivos por todo lado! como abelhas aflitas por salvar seu mel.
seu mal.

o sentimento atravessa as ruas e suas palavras. o amor se esquece de acontecer, não
tem tempo, coitadinho... se sente chicoteado pela incerteza. 

usava botas tão grandes para ficar longe do desamparo. queria cantar no chuveiro outra vez.
o cabelo crescia a contragosto. a mágoa a contragosto também. era um descuido que andava.
pensou que fosse desmaiar, decidiu que não dessa vez. suas mãozinhas se abriram e largaram 
todo o desespero, seus olhos se abriram e quiseram finalmente ver.

o jeito como segurava o vestido dobrado, negro e opaco.
o jeito como segurava a tiara.
o jeito como segurava aquele cansaço. 
as palpitações. os prelúdios, os incensos, as algemas, a sua pieguice, os parnasianos.
o que não depende do tempo.

enquanto as esposas dos astronautas escrevem bilhetes suicidas.

alguém pra me esquentar pra sempre? 
porque meus pés ficam gelados nos momentos mais inesperados. uma boneca gelada.
deslocada de si mesma. elaborar o fracasso. testar as chaves nos dentes da menina.
nos dentes da menina, o desassossego, plácido. como quem espera uma lembrança daquelas
com som de cachoeira tosca. plácido.
nos joelhos da menina, dentes do acaso. roubando cartilagens, roubando passos e sossegos.
ia mais longe, não fosse a memória, não fosse tudo que desaconteceu.
ia mais longe, não fosse os batentes das portas se fechando, excluindo as portas, indo de 
encontro a tudo que escurecia seu amanhecer.
patético.
desamanhecer, dentes da menina e bilhetes suicidadas de mulheres de astronautas. patéticos.

só porque ia embora. 
encosta aqui no meu ombro? só encosta, fazendo o favor?



Escrito por Cléo De Páris às 17h12
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aBISMOS

aos 12 anos, fui fazer meu primeiro exame ginecológico. completo. já havia menstruado.

a médica, com um sorriso largo de dentes perfeitos, disse: "você tem um útero ótimo!"
30 anos depois, ainda lembro dos olhos azuis tristes arregalados da menina de 12 imaginando o quão longe, no futuro, estava
o dia em que esse ótimo útero seria habitado. um útero ótimo!
hoje, esse dia está mais longe porque o lugar mais longe do mundo é perto do impossível.

há desperdício de tudo nessa vida, de bons, ótimos úteros, inclusive. a vida não é justa e não dá recompensas.

outra coisa que lembro bem é de uma leitura dramática que assisti, aos 20 e poucos, um texto da Lya Luft,
que dizia assim:
"cada filho é uma ferida aberta no flanco, por onde entram alegrias e terrores."
alegrias e terrores, que hoje sei, não terei.

por descuido ou por cuidado, sou daquelas pessoas que sempre adiaram uma gravidez. dificuldades,
emoções confusas,
maus hábitos, maus relacionamentos. de tanto cuidado, nem por descuido engravidei.
cuidei do teatro e não olhei nos olhos do tempo.

eu me sinto um pouco como uma caixinha de música quebrada. que poderia tocar a música mais linda se
não estivesse irremediavelmente quebrada. ou como uma ferida infeccionada há anos.

mas... sou uma pessoa que não acredita em conselhos. que não acredita em muitas coisas, mas
mais do que tudo em conselhos, então "silêncio por favor enquanto escuto um pouco a dor no peito."

também não tenho a pretensão de deixar algo a esse planeta, não gosto dele. nem livro, nem árvore,
nem nada.

- eu, que já chorei tanto ao telefone, que já fui tão fraca e inepta pra levantar da cama em manhãs ditas lindas,
eu que já reclamei de tudo e de minhas reclamações, eu que sou inútil, apesar de bela... eu agora só quero um
amanhecer depois do outro, até que, por uma bênção, tudo acabe.

- a mágica da vida.
a vida não faz mágica, só truques. algumas pessoas tem vidas melhores porque com melhores truques.

- meu pai, caixeiro viajante, nunca cuidou de mim. nunca pôde, nunca soube. e sei que me ama, mas às vezes,
o amor não tem rosto. nunca me bateu também. na verdade, uma vez. um tapa. deve ter sido algo terrível que fiz,
mas o eco do tapa ficou tão grande em mim, que esqueci na hora o que tinha feito,
a lembrança do eco do tapa esqueceu meu erro.

- minha mãe, a vida inteira me disse que eu só iria entender a vida quando tivesse um filho! pois bem, não
vou entender
a vida. 

- tentar já é vitória.

- aprender a desistir é mais difícil do que aprender a tentar. e mais importante.

- não sou de perseguir sonhos! só gosto dos sonhos que combinam comigo. e isso, desde que me
conheço por gente. e faz tempo, faz tempo que me conheço como isso que chamam de gente.

- quando morre uma possibilidade, dessas gigantes, de alegria, passa na nossa cabeça um filminho
como aquele de quando se vai morrer... só que ao contrário. começa do momento exato da constatação
da tragédia e vai rebobinando até o início do caminho que levou ao abismo. engraçado que tem nós
calados de poesia no meio de tudo. poesia calada. em silêncio. abismos também são dignos.

- sabemos que tudo acaba, mas tem coisas que sangram mais.

nessa noite, eu não rezei.





Escrito por Cléo De Páris às 20h11
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próximo.


porque não tem sonhos errados.

protegida com os estranhos. um dia chorava a cargo de uma decepção amorosa. 
o cobrador.
sustentável.
amparada.

trevo de quatro folhas é uma anomalia...

**************

sonhou que tinha vermes. um papa benzia sua casa. alguns cômodos
em reforma e ele reclamou de um vazamento no banheiro.
depois sonhou que uma purpurina entrou em seus dentes e parecia um caminhão.
virou criança para a purpurina sair e lá longe outra criança gritava "AMOR" fazendo eco.
e no seu pensamento tímido de criança, talvez fosse tarde.

destacar alguns cuidados:
- você já invadiu a paz de uma pessoa?

perambulante.
sua idade: de uma leoa que não precisa mais se defender. amém.


"eu ia montar cavalos alados, montar seus desejos.
ia tirar todos os seus sonhos pra dançar."

bilhetes diásporas.

prefiro as cápsulas. prefiro as meias quando já estão se desintegrando.

é a primeira vez que me engano,
ela disse com sabedoria infantil, mas daquelas crianças que já nem souberam nascer.



Escrito por Cléo De Páris às 12h33
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"Eu que nunca sou adequada. Voltei. Estou pensando em tartarugas."
Clarice Lispector



Escrito por Cléo De Páris às 12h21
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Tem um alvo bem no meio do meu peito.



Escrito por Cléo De Páris às 12h57
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o infinito

Minha vizinha, dona Maringá, tem quase 90 anos e muita vontade de viver. Anda toda
arrumadinha, faz cruzeiros, sai com as amigas e volta tarde, às vezes bebe! Pinta o
cabelo de preto reluzente. Agora, nas correspondências dela, tenho visto um boleto
do cemitério jaraguá, com um lindo jardim verde impresso e um slogan feliz. 
Um
cara no onibus está lendo crime e castigo. No carro que passa voando "o infinito
é realmente um dos deuses mais lindos"...



Escrito por Cléo De Páris às 03h02
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Toda mala é um nao ficar

Ela saiu decidida a se apaixonar. Toda prosa. Toda recheio sabor esperança. 
Correndo. Velhos forjados tempos. Algodão nos ouvidos e nos gastos sapatos.
Quase descovarde ela saiu. Correndo. Aflição mesclada com roupas lisases de
bailarina. Coroa de strass. Aflição strass igual às quase lágrimas da quase entrega.
Mas a covardia escudo aliada, a postos, aceitou singela a flor amarela em camadas.
Rifle na mão esquerda para receber a flor com a direita. "Por que estamos
emocionados agora", imprimiu o moço que não sabia saber. Ela pensou em
paralelepípedos coloridos, como de costume. Depois pensou naquele maldito
sonho recorrente e na vontade de morrer, eterna... E no mesmo segundo, 
desfalecente, pensou que sim, só a vontade eterna de morrer era legítima.
Saciável. Sorriu de ter certeza maior que a de todos aqueles filósofos de
discussões crucificantes em mesas de bar com cupins. Riu de novo
pensando na eternidade dos cupins, ou na eternidade do estrago deles.
Riu mais. Até dormir só.



Escrito por Cléo De Páris às 00h02
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A música mais linda do mundo nessa semana

Ciranda da Bailarina
Chico Buarque

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Verruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho*
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem

Procurando bem
Todo mundo tem...



Escrito por Cléo De Páris às 12h27
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outra eu outra vez

10 dias contemplando as estrelas, olhando o fogo, ouvindo o barulho dos passos e até do coração.
colhendo limões, bergamotas e morangos silvestres no quintal, fazendo crochê.
numa nuvem lenta e embriagante... agora isso tudo. nomes, números, pesos, datas, contatos,
carros, sinais, desvios, lustres, inventários, cordas bambas, abismos, canções, delírio...
tudo eu outra vez. tudo outra eu outra vez. dançando.



Escrito por Cléo De Páris às 13h02
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Do lindo blog de Fransérgio Araújo...

Cigano

Extraí o amor e os rastros se apagaram.
Anacrônico, sigo avesso as crenças das paixões.
Conquistar o comum faz um transgressor de ideais.
Arrancar corações fúteis com a adaga do nada.
Silenciar diante da pretensão, e ter!
Lutar pelo seu lugar na estrada.
Longos cabelos longos, os cachos ligados a aorta do peito.
A estrada que me apoia conhece o ser do vento!!!
Nas Minas é que me refaço dos nulos de alma.
Uma cachoeira afoga as sombras no sol cerrado.
Sou amante do nada. 
Ausente do tempo. 
Senhor de nenhuma escolha. 
Eleito na minha própria alma expúria. 
Suspensa alma em fruto de colheita simples!!!
Brota em mim toda nobreza dos desvalidos. 
Nasci de pé no horizonte.
Escorrega dos meus dedos a precisão cartesiana.
Creio no cigano das roupas que visto.
E nas paragens que passam, tenho a réplica do que ficou para trás.

 



Escrito por Cléo De Páris às 11h27
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De volta.

De volta.
E esse céu arisco.
Minhas estrelas ficaram lá longe.
Às vezes eu não sei o que faço aqui.
Às vezes eu sei.



Escrito por Cléo De Páris às 12h53
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prêmio!



Escrito por Cléo De Páris às 14h43
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Eu gostaria tanto, tanto de olhar vc como mais do que aquela poesia

empoeirada. Gasto vc . Vc anda meio gasto .



Escrito por Cléo De Páris às 07h49
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Cortar as asas não tira a vontade de voar.



Escrito por Cléo De Páris às 17h28
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Beijaço!



Escrito por Cléo De Páris às 15h00
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